PERGUNTAS   MAIS   FREQUENTES

por Siegfried M. Pueschel, traduzido por Meire Gomes. As passagens em grifo são comentários da tradutora

1. O que é a Síndrome de Down?

É uma alteração genética causada pela não disjunção do cromossoma 21 durante o processo de divisão celular. Esta alteração genética acarreta em um conjunto de características físicas associado à alteração no desenvolvimento intelectual, devido à presença de um cromossomo 21 extra.
A incidência estimada da SD é de 1 para 1.000 a 1 para 1.100 nascidos vivos. A cada ano, aproximadamente 3.000 a 5.000 crianças nascem com essa alteração cromossômica. Acredita-se que há cerca de 250.000 famílias nos EUA com portadores da SD. No Brasil estima-se que a incidência seja de 1 criança com SD para cada 700 nascidas vivas.

2. Como é o desenvolvimento da criança com SD?

Crianças com SD são usualmente menores e seu desenvolvimento físico e mental é mais lento do que o das crianças sem a síndrome. Nas últimas décadas tem se verificado um aumento na estatura final de pessoas com síndrome de Down.
A maioria das crianças apresenta déficit mental moderado (leve a moderado). Algumas crianças apresentam pouco déficit mental podendo ter função boderline, enquanto outras crianças podem ser severamente comprometidas. Há uma larga variação nas habilidades e desenvolvimento nas crianças com SD. Seu desenvolvimento motor também é mais lento, e normalmente começam a dar os primeiros passinhos entre 12 e 14 meses. Normalmente aprendem a andar entre 15 e 36 meses. O desenvolvimento da linguagem também ocorre um pouco mais tarde (entre 2 e 7 anos de idade). É importante frisar que os cuidados e o envolvimento familiar, assim como a intervenção precoce e educação integrada, têm um impacto positivo no desenvolvimento da criança.

3. Quais são as características físicas de uma criança com SD?

As características físicas são importantes para o médico sugerir a existência da síndrome, mas essas características não são importantes para outros prognósticos. As pessoas com SD são mais parecidas entre si do que a população geral. Nem todas as crianças com SD tem todas as características; algumas apresentam poucas características e outras mostram muitos sinais físicos da SD. Algumas das características em crianças com SD são o achatamento da parte posterior do crânio, fenda palpebral oblíqua, pequena dobra de pele no canto interno dos olhos (epicanto), base nasal alargada, orelhas ligeiramente menores, boca, mão e pés pequenos, hipotonia e frouxidão ligamentar.Cerca de 50% das crianças tem prega única palmar e freqüentemente apresentam um sulco entre o primeiro e segundo artelhos (dedos dos pés). Não há relação de causa e efeito entre características físicas e habilidades.

Outras características são: ausência de alguns reflexos primitivos do recém-nascido, orelhas com alteração na rotação ou implantação, excesso de pele na parte posterior do pescoço, articulações hiperelásticas, clinodactilia ( dedinho mínimo tortinho, que chamamos de displasia da falange média do quinto quirodáctilo), prega única no quinto dedo das mãozinhas, macroglossia (aumento do volume da língua), micrognatia (queixo voltado para trás) e pele xerótica (ressecada).

4. Quais são as alterações cromossômicas que podem ser observadas na SD?

Há três tipos principais de alterações cromossômicas na SD:

  • Aproximadamente 95% das crianças com SD tem um cromossomo 21 extra, condição chamada de TRISSOMIA do 21. Ao invés de 46 cromossomos em cada célula, a pessoa com SD tem 47 cromossomos. Ocorre por uma não-disjunção do cromossomo durante a meiose. O cariótipo é [47, XX + 21] ou [47, XY + 21] para meninas e meninos, respectivamente. Cerca 20% das trissomias ocorrem por erro meiótico paterno.
  • O segundo tipo é chamado de TRANSLOCAÇÃO, sendo o cromossomo 21 extra deslocado e anexado a um outro cromossomo, usualmente o 14, o 21 ou o 22. Se a translocação é encontrada é importante examinar os cromossomos dos pais, pois em 1/3 dos casos, um dos pais pode ser o portador da translocação. A Translocação é encontrada em 3 a 4 % das crianças com SD.
  • O terceiro tipo é chamado MOSAICISMO, encontrado em 1% a 2% dos indivíduos com SD. Nesse caso, algumas células tem 47 cromossomos e outras tem 46 cromossomos.
    Antes o Mosaicismo era explicado como resultado de um erro na divisão celular logo após a concepção. Atualmente os geneticistas explicam como sendo uma tentativa do organismo corrigir este acidente genético.
    A criança nascida com SD por Mosaico pode ter o aspecto físico menos característico, porém as manifestações da síndrome são similares às crianças com trissomia simples ou translocação.

5. Qual é a causa da SD?

Embora muitas teorias venham sendo aventadas, não está elucidada a causa da SD.
É sabido que a SD aumenta em freqüência conforme maior a idade da mãe. Entretanto, a maioria dos bebês são filhos de mães com menos de 35 anos. Algumas pesquisas mostram que pais com mais idade também podem aumentar a incidência de crianças com SD.

6. Que tipo de informação pode ser dada através do aconselhamento genético?

Pais de uma criança com SD apresentam um risco aumentado de ter uma outra criança com SD em uma futura gestação, com um risco estimado de 1:100 para trissomia e mosaicismo. Se, entretanto, a criança tem uma SD por translocação e se um dos pais tem translocação, o risco de recorrência sobe acentuadamente. O risco depende do tipo de translocação e se a mesma foi transmitida pelo pai ou pela mãe.

O uso de ácido fólico para todo casal com vida sexual ativa e em fase de procriação reduz drasticamente os "defeitos do tubo neural" e diminui a possibilidade de filhos com síndrome de Down. Evitar filhos antes dos 17 anos e após os 35 anos diminui a chance de gerar filhos com alterações genéticas. (Dr.Zan Mustacchi e Prof. Dr.Paulo Fernando Franco de Camargo)

7. Que cuidados de saúde são freqüentemente necessários em pessoas com SD?

A crianças com SD necessitam dos mesmos cuidados médicos que qualquer criança. O pediatra ou médico de família deve manter os cuidados gerais, vacinas, rotina de atendimento em situações de emergência e oferecer suporte e aconselhamento à família. Há entretanto, situações peculiares que requerem atenção especial.

60 a 80% das crianças com SD pode desenvolver deficiência auditiva. Sendo assim, está indicada avaliação audiométrica precoce e de rotina. Se há perda auditiva significativa, a criança deverá ser vista por um otorrinolaringologista. Tem-se indicado estudo periódico da acuidade auditiva, pois além do aumento da incidência de surdez neurossensorial há acúmulo freqüente de secreção na orelha média.

40 a 45% das crianças tem cardiopatia congênita. Algumas dessas crianças precisam se submeter à cirurgia cardíaca e freqüentemente precisam de um acompanhamento de um cardiologista infantil.

Anormalidades intestinais também ocorrem freqüentemente em crianças com SD. Por exemplo, a atresia do esôfago, do intestino e do ânus não são raras em crianças com SD. Essas alterações podem requerer correção cirúrgica para normalizar a função do trato gastrointestinal.

Crianças com SD apresentam problemas oftalmológicos com freqüência maior que a população geral. Por exemplo, 3% das crianças com SD desenvolvem catarata que precisa ser tratada cirurgicamente. Outros problemas são estrabismo, miopia, hipermetropia e outros.

O aspecto nutricional é outra preocupação. Algumas crianças com SD, particularmente aquelas com doença cardíaca severa, tem deficit de crescimento na infância. Por outro lado, a obesidade freqüentemente aparece durante a adolescência e entre os adultos jovens. Essas condições podem ser prevenidas com um bom controle nutricional.

As disfunções da Tireóide são mais comuns em crianças com SD que na população geral. 15 a 20% das crianças apresentam Hipotireoidismo. É importante identificar o hipotireoidismo, pois ele pode comprometer o funcionamento do sistema nervoso central.

Problemas ortopédicos são também mais freqüentes, incluindo subluxação da patela (deslocamento parcial), luxação do quadril e instabilidade atlantoaxial. Esta última condição ocorre quando há desalinhamento das duas primeiras vértebras do pescoço devido à frouxidão dos ligamentos. Aproximadamente 15% das pessoas com SD possúem instabilidade atlantoaxial - diferentes estudos mostram incidências menores, por volta de 7%. A maioria não apresenta qualquer sintoma, e somente 1 a 2% tem indicação cirúrgica.

A vacina antipneumocócica deve ser feita em em todas as pessoas com SD, diminuindo a grande incidência das pneumonias e meningites graves por pneumococo. (Dr.Zan Mustacchi e Prof. Dr.Paulo Fernando Franco de Camargo)

Outros aspectos médicos importantes são: alterações imunológicas, leucemia, doença de Alzheimer, epilepsia, apnéia do sono e doenças dermatológicas.

8. A SD pode ser "tratada"?

Embora alguns medicamentos e várias terapias tenham sido testadas para "tratar" pessoas com SD, não há terapêutica que mude a condição genética até o presente momento. Entretanto, avanços recentes em biologia molecular permitem examinar as bases genéticas da SD. Se for encontrado o mecanismo de como o cromossomo 21 extra interfere na seqüência do desenvolvimento, e se existirem meios que contraponham a esse mecanismo, uma terapia genética poderá emergir.

9. Que tipo de educação e oportunidades profissionais podem ser disponíveis ou proveitosas para pessoas com SD?

Hoje programas de intervenção precoce, creches e educação integrada especial tem demonstrado que jovens com SD podem participar de várias áreas do conhecimento, o que os influencia positivamente de maneira global. Pesquisas têm mostrado que a intervenção precoce, um ambiente com estímulos e assistência familiar resultam em progressos habitualmente não alcançados por crianças que não passam por essas experiências e estímulos.
Crianças com SD, como todas as crianças, beneficiam-se com estimulação dos sentidos, exercícios específicos (envolvendo coordenação motora fina) e estimulação do desenvolvimento cognitivo. Creches e pré-escolas ajudam as crianças a explorarem um mundo novo, além das fronteiras de sua casa.
Mais tarde, a escola pode dar a criança fundamentos para desenvolver conhecimentos acadêmicos e habilidades sociais. Experiências adquiridas na escola ajudam as crianças a desenvolverem a auto-estima, a se divertirem, e a se engajarem em serviços afim de serem cidadãos produtivos. Contrariando algumas opiniões, todas as crianças podem estudar, e elas terão maior proveito se tiverem o suporte que necessitam.
Durante a adolescência, jovens com SD podem ser submetidos a testes vocacionais para então aprenderem a rotina de trabalho e se ligarem a outros jovens com aptidões similares. Um aconselhamento vocacional e um estágio podem resultar numa boa qualidade de trabalho, e isso leva-os a perceberem seu valor e como podem contribuir com a sociedade.

10. Que atitude deve ter a sociedade ?

É importante que a sociedade desenvolva atitudes que permitam a integração e aceitação de pessoas com SD na comunidade. Ela deve observar seus direitos como cidadãos e preservar sua dignidade.

Outras fontes de informação: Fundação Síndrome de Down

11. A SD é contagiosa?

Não, ela não é causada por nenhum micróbio ou vírus. Ela é produzida por uma alteração genética que ocorre no início da gravidez.

12. Qual o risco de um casal ter uma criança com SD?

O risco depende da síndrome ser causada por trissomia simples ou por translocação. No caso da trissomia simples, o risco depende da idade da mãe, Isso porque a chance de acontecer um erro na formação do óvulo é maior com o aumento da idade da gestante. Para a translocação, se não existe outro caso na família, o risco é muito pequeno.

13. Existe alguma maneira de se saber se a criança terá SD antes do nascimento?

Atualmente, existem exames que são feitos durante a gravidez, e que detectam algumas alterações no feto.
Até pouco tempo atrás, amniocentese (a partir 15ª semana de gestação) e a amostra de vilo-corial (entre a 11ª e a 14ª) eram os exames usados para estudo dos cromossomos do feto. Tendo 99% de chance de acerto. Porém são exames invasivos, com risco de aborto de 1%.
Atualmente existe uma combinação de exames que não submetem o feto a perigos desnecessários, são eles:
- Translucêncial nucal – É uma ultra-sonografia feita preferencialmente entre a 12ª e a 13ª semanas para medir a prega da nuca do bebê, que deve ter entre 2,3 e 2,6 milímetros. Se ele tiver SD ou outras alterações genéticas graves, a prega estará aumentada.
- Outros “marcadores” anatômicos – o osso nasal do bebê com SD demora a ser visto no ultra-som, pois ele tem nariz pequeno. Apresenta também regurgitação na válvula tricúspide do coração. Durante as contrações cardíacas, a válvula não fecha por completo e deixa o sangue passar no sentido inverso.
- Perfil bioquímico materno - Consiste em dois exames colhidos no sangue da mãe: a proteína plasmática associada á gestação (PAPP-A) e a fração livre do beta HCG (gonodrotrofina coriônica humana). São proteínas produzidas durante a gravidez, pelo feto e pela placenta. Nos bebês com SD, a PAPP-A está reduzida e o beta HCG, aumentado. O exame pode ser feito entre a 10ª e a 14ª semanas, porém o ideal é realizá-lo entre a 10 e a 11 semanas.
Associados, estes exames permitem diagnosticar até 98% dos casos de SD. Portanto, a trissomia do cromossomo 21, que causa a síndrome de Down, pode ser detectada no período pré-natal.
saiba mais

                            Outras fontes de informação: Dra. Denise Araújo Lapa Pedreira (médica, obstetra e orientado de teses da USP)

14. A SD pode ter graus diferentes?

Não existe classificação em graus para a síndrome de Down. Todavia, tanto os sinais clínicos como o desenvolvimento motor e mental apresentam variações. Assim, como cada criança é diferente das demais, as crianças com síndrome de Down também se desenvolvem diferentemente umas das outras. Apesar da variação entre as crianças, todas apresentam déficit mental.

15. Como é o temperamento?

Cada pessoa tem uma personalidade própria, diferente das demais. Do mesmo modo, a criança com síndrome de Down também tem sua personalidade, que depende, em grande parte, de suas experiências. A maioria dessas crianças tem temperamento dócil e não são agressivas. A teimosia e a birra às vezes fazem parte de seu comportamento e, assim como das outras crianças, que não encontram limites claros e equilibrados em sua educação.

16. Como a criança com SD deve ser educada?

Deve ser educada e disciplinada como qualquer outra criança. Os pais devem ensinar-lhe os limites, não permitindo que ela faça tudo o que quiser. Será necessário maior cuidado e atenção, porque a criança pode demorar mais para aprender as coisas. É importante lembrar que ela pode demorar para aprender as coisas, mas aprenderá.

17. Como se pode diminuir suas limitações?

A maioria dos profissionais acredita que a estimulação precoce ajuda o desenvolvimento da criança. Os pais podem auxiliar muito a criança, brincando sempre com ela, mantendo-a em atividade, permitindo que ela tenha muitos estímulos, visuais, táteis e auditivos, por exemplo, com brinquedos e objetos de material, som e cor diferentes. Exercícios físicos específicos poderão auxiliar o desenvolvimento neurológico. A convivência com outras crianças e a participação na vida social da família auxiliarão seu desenvolvimento emocional. Clínicas especializadas costumam ter programas de estimulação precoce para crianças com síndrome de Down, que poderão orientar os pais quanto aos exercícios específicos.

18. Qual e a escola mais adequada?

A escola comum, de caráter regular (particular ou pública) que deve ser escolhida pelos pais, os quais podem ser orientados pelos terapeutas de seus filhos. Vale lembrar que a última decisão é dos pais. Nossa legislação atual assegura o direito à escolarização para todos, não importando raça, credo, sexo, ou se a pessoa tem necessidades especiais. Todos são iguais perante a lei e têm os mesmos direitos.

19. Convém internar a criança numa instituição especializada?

Uma instituição não tem condições de suprir todas as necessidades do desenvolvimento da criança, pois a família pode lhe dar mais atenção e carinho. É importante que ela conviva com outras pessoas e freqüente ambientes diferentes. Matricular a criança numa escola comum (rede regular de ensino) onde passe parte do dia, pode dar-lhe melhores condições de desenvolvimento, sem privá-la da convivência com a família.

20. Como os pais devem agir em relação à criança com SD e seus irmãos?

Os pais devem procurar não superproteger a criança, interferindo o menos possível nas brincadeiras e brigas entre irmãos, permitindo que cada um tenha suas atividades e sua liberdade. Se os pais tratam a criança com naturalidade, os irmãos também o farão, Não se deve tratar a criança como se ela fosse mais fraca, indefesa ou “diferente", fazendo exigências ou restrições especiais aos outros irmãos, pois eles poderão se sentir culpados, com pena, raiva ou com responsabilidade excessiva. Deve-se evitar que a criança com síndrome de Down se torne alvo das atenções exageradas da família, para que os outros filhos não se sintam em segundo plano.

21. O que deve ser dito aos irmãos das criança?

Se os irmãos forem pequenos, não evite sua presença para falar daquele que tem síndrome de Down, evite cochichos, pois isso cria uma atmosfera artificial; ouvindo os pais conversarem com naturalidade, eles aceitarão naturalmente na medida que crescem. Se os irmãos tiverem idade para compreender, poderá ser dito que o irmão com síndrome de Down aprenderá as coisas um pouco mais devagar do que eles mesmos aprenderam.

22. Como os casais se sentem ao saber que têm um filho com SD?

Há muita expectativa quanto ao nascimento de um bebê, e os pais sempre esperam que seus filhos nasçam sadios. Quando nasce uma criança com síndrome de Down, é natural que os pais fiquem chocados e que tenham sentimentos de perda e rejeição. Devido a pouca informação, os pais podem supor que cometeram algum erro e por isso se sentem culpados. À medida que a situação se torna mais clara, e que os pais tornam conhecimento de que a síndrome é causada por um acidente sobre o qual ninguém tem controle, esses sentimentos, que são naturais nesse momento, poderão ser superados. Sentimentos de insegurança e incerteza, bem como dúvidas sobre como tratar a criança e o que o futuro lhe reserva, podem surgir. Se isso acontecer, procure informações corretas, através de médicos, profissionais especializados ou mesmo pais que também têm um filho com síndrome de Down. Isso poderá ajudá-lo a compreender melhor a situação e seu filho.

23. Como se deve agir quando outras pessoas fizerem perguntas?

Apesar da dificuldade inicial em aceitar a criança com síndrome de Down, procure dizer às pessoas conhecidas que a criança tem síndrome de Down, que é um atraso no desenvolvimento, que não é uma doença contagiosa ou infecciosa. Isso poderá evitar situações desagradáveis, e as pessoas se sentirão mais a vontade para conversar com você a respeito da criança.

23. Como deve ser a educação sexual?

Aos poucos, de acordo com a curiosidade da criança e com sua capacidade de compreensão, os pais terão oportunidade de explicar como nosso corpo funciona e as diferenças entre homens e mulheres e, fornecer informações que ajudem a criança a lidar com determinadas situações, como, por exemplo, preparar a menina para a primeira menstruação. A educação sexual não é dada num único dia. Desde pequena a criança tem curiosidade por tudo que a cerca, e o sexo também desperta sua atenção. Isso para ela é tão natural como qualquer outra coisa. Essa naturalidade continuará se os pais conversarem espontaneamente sobre sexo com ela.

24. Uma pessoa com SD poderá ter filhos?

Não se conhecem casos de homens com síndrome de Down que tenham se reproduzido. As mulheres podem menstruar e engravidar. Entretanto, a gravidez é desaconselhada, porque a mãe terá dificuldade em cuidar da criança adequadamente. Além disso, o risco de nascer uma criança também com síndrome de Down é alto (cerca de 50%). Convém que os pais procurem a orientação de um ginecologista quando a menina com síndrome de Down chega à adolescência e tem a sua primeira menstruação.

25. O bebê com SD que tem problemas cardíacos pode fazer fisioterapia?

Sim, desde que haja a liberação do médico cardiologista e as condições vitais desse bebê estiverem satisfatórias para receberem as estimulações.

26. Com quanto tempo o bebê com SD deve iniciar a fisioterapia?

Após o nascimento, o quanto antes o bebê iniciar a intervenção melhor, pois assim ele receberá as estimulações adequadas e a família as orientações devidas.

27. O que deve estar contra-indicado para as pessoas que apresentam a Instabilidade Atlanto-Axial?

Deve estar contra indicado: movimentos bruscos do pescoço, atividades de equoterapia e equitação, cambalhotas, mergulho, judô e outras atividades que envolvem movimentos do pescoço. Também deve ser dada atenção especial quanto ao posicionamento da cabeça em cirurgias durante o ato anestésico e em lavatórios de salões de beleza evitando sempre a hiperextensão da cabeça.

28. Quando o bebê com SD pode ser colocado na posição em pé?

Ele pode ser colocado inicialmente por volta dos 6 meses, sendo um trabalho gradativo e orientado pelo(a) fisioterapeuta para evitar problemas posturais no decorrer do desenvolvimento muscular.

29. Por que as pernas do bebê com SD ficam muito abertas, principalmente quando ele está deitado de barriga para cima?

Devido à hipotonia e frouxidão ligamentar os músculos ficam mais “moles” e as articulações apresentam amplitudes extremas, ocasionando pouco movimento, ficando assim com as pernas mais abertas e rodadas para fora. *Essa posição é prejudicial principalmente para a articulação do quadril podendo ocasionar problemas articulares e dificuldades para futuras aquisições motoras deste bebê.

30. Qual a importância do brincar para o desenvolvimento da linguagem?

O brincar possibilita a formação de conceitos, o desenvolvimento da imaginação e da criatividade, ao mesmo tempo em que permite experimentação, comparação, classificação entre os variados tipos de brinquedos e brincadeiras. Além disso, desenvolve o companheirismo, aprende a conviver com outras pessoas, procura ou é estimulada a entender as regras. As brincadeiras realizadas entre outras crianças e/ou adultos reforça os laços afetivos e aumenta o interesse pelo jogo. Com isso, a criança faz descobertas, tornando a aprendizagem mais enriquecedora.

31. Qual a importância dos brinquedos às crianças com SD?

Os brinquedos são instrumentos importantes para ajudar a estimulação da criança e favorece uma boa relação entre família e criança, pois trazem prazer e satisfação.
O brinquedo é a oportunidade de desenvolvimento, proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da atenção e concentração. Através dos brinquedos a criança aperfeiçoa uma infinidade de estímulos vitais para sua formação motora, criatividade, a curiosidade, raciocínio, sensações e outros benefícios.

32. Por que algumas crianças com SD falam “enrolado“ e outras não?

Podemos dizer que algumas crianças conseguem emitir os sons da língua, mas quando combinados em palavras longas ou frases esses sons podem se tornar imprecisos ou serem omitidos. Geralmente a criança com Síndrome de Down utiliza de padrões fonológicos “imaturos“ por um tempo mais longo do que as crianças sem atraso. Além disso, a criança apresenta problemas articulatórios que geralmente estão relacionados a hipotonia, alterações dentárias, respiração bucal que também comprometem a inteligibilidade da fala (clareza).

33. Quando a criança com SD inicia a produção de palavras?

Cada criança tem um ritmo de desenvolvimento individual, por isso não há como pontuarmos precisamente em qual faixa etária tal produção é iniciada. segundo dados da literatura as primeiras palavras surgem por volta dos 30 meses.

34. Por que a brincadeira é tão importante para a criança com SD?

O desenvolvimento do jogo simbólico (casinha, médico, supermercado, etc) é muito importante para qualquer criança. A criança pequena inicia o desenvolvimento do brinquedo de forma gradativa, inicialmente explorando os objetos ao pegar, levar a boca ou apertar. Aos poucos ela começa a perceber o outro e imita-lo usando os objetos de forma convencional (ex: entrando na banheira do boneco). Mais tarde, ela identifica o boneco como seu parceiro e o inclui na brincadeira podendo começar a compartilhar com o outro este brincar. Com isso, a criança repete situações vividas em sua rotina até evoluir para a representação de objetos inexistentes (ex: representa com um arco a direção de um carro).
Com toda essa evolução ela vai gradativamente construindo conceitos, organizando o pensamento, interagindo com o meio e as pessoas, exercitando a memória, realizando relações entre objetos e fatos e com isso, desenvolvendo aspectos cognitivos, afetivos e de fala e linguagem.

35. Por que é importante a criança realizar avaliação da audição periodicamente?

A avaliação audiológica é indicada a cada 6 meses até que a criança complete 1 ano. Após e1 ano são recomendadas avaliações anuais. A criança com síndrome de Down pode apresentar alterações anatômicas no ouvido, sendo que as malformações mais conhecidas referem-se ao ouvido externo. Geralmente apresenta aumento na produção de cera, o que pode ocasionar um rebaixamento auditivo temporário. Somando-se a isso, ocorre ainda uma alta incidência de infecções das vias aéreas superiores que podem levar a episódios repetidos de otites médias. As otites devem ser tratadas para não se configurarem em perdas auditivas transitórias. Pode ocorrer também perdas auditivas permanentes (neurossensoriais), e nestes casos é necessário uso de aparelho auditivo. A perda auditiva compromete independentemente do tipo de perda (transitória ou permanente), o desenvolvimento de fala e linguagem interferindo assim em aquisições cognitivas.

36. O fato do meu filho se comunicar através de gestos o impedirá de falar?

Os gestos fazem parte do desenvolvimento de linguagem da criança. Tem sido demonstrado, através de pesquisas que o uso de gestos facilita a aquisição de fala.
Inicialmente a criança apresenta gestos indicativos que demonstram intenção de comunicar algo. Mais tarde ela aprende gestos mais elaborados que são os representativos, ou seja, representam algo (ex: gesto de casa, comer, dormir, etc) ou uma ação. Os gestos fazem parte de nossa cultura e forma de nos comunicarmos. É importante que o adulto dê o “retorno” e estimule as emissões orais junto com os gestos. Proibir o uso de gestos pode impedí-la de participar de situações interativas e aumentar suas frustrações. O uso de gestos diminui à medida que a fala é produzida com mais sucesso e satisfaz a necessidade de comunicação da criança.

37. As pessoas com SD têm dificuldade em trabalhar conceitos lógico-matemáticos?

Sabemos que o pensamento lógico-matemático engloba conceitos como seriação, conservação, comparação e memória, porém para crianças com S.D., devido ao déficit intelectual é fundamental que os conceitos matemáticos sejam trabalhados inicialmente de forma concreta, favorecendo a experimentação. Para este trabalho, podemos lançar mão de muitos instrumentos como brinquedos, blocos lógicos, jogos de memória, dominós e material dourado garantindo uma aprendizagem significativa que dê suporte para a elaboração do pensamento e raciocínio abstrato.
Vale lembrar que para o desenvolvimento do conhecimento matemático é preciso garantir o apoio do material concreto, para que todos os conceitos possam ser construídos de forma real e particular. Isto é válido não só para a aprendizagem de pessoas com S.D., mas também para todas as outras.

38. A criança com SD se alfabetiza?

Sim, a criança com síndrome de Down pode se alfabetizar. Cada aluno, sindrômico ou não é único e singular. As novas propostas educacionais, buscando ensinar a todos os alunos, tem contribuído no processo de desenvolvimento, alfabetização e inclusão de pessoas com síndrome de Down no ensino regular.

39. Que tipo de metodologia educacional é indicado para alfabetizar pessoas com SD?

Não existe um método ou teoria para alfabetizar alunos com S.D. Existe sim, teorias que acreditam que todos podem aprender e que consideram os estudos acerca do modo como a criança aprende (Jean Piaget, Vygostsky, Henry Wallon, Paulo Freire, Emília Ferreiro,, Sara Pain, Gerard Vergnaud, Esther P. Grossi, Telma Weisz). Dentro dessas teorias são estudados os níveis e períodos da escrita para se chegar a alfabetização. São consideradas as hipóteses das crianças sobre o sistema de escrita e leitura para serem planejadas atividades, estratégias e intervenções pedagógicas para que elas avancem em suas hipóteses e compreendam o sistema de escrita.

40. Devo ou não ter mais filhos?

Este tipo de questionamento é comum entre os pais que tem filhos com síndrome de Down decorrente do medo e insegurança que são despertados diante do nascimento de uma criança com síndrome de Down. Entretanto, isto não impossibilita uma nova gravidez se este segundo filho fizer parte de um planejamento familiar. Se estivermos falando de uma “Trissomia Simples” a probabilidade de um outro filho nascer com síndrome de Down é mínima.